SEGUNDA FEIRA, 11 de janeiro

A hipocrisia e a ignorância caracterizam os nossos dias:

Quantos de nós, quando entramos num casão sombrio de verão e encontramos vespeiros, osgas e lagartixas, lhes pegamos delicadamente, transportando-os para um novo local também assim favorável?

Quantos de nós questionamos e nos preocupamos com a quantidade e variedade de mamíferos, aves, anfíbios e, fundamentalmente, de insetos que são exterminados de um dia para o outro, quando se instala um olival ou amendoal super intensivo precisamente nos milhares de hectares que estes habitaram durante milénios?

Quantos de nós questionamos a importância que tem a vida ou a morte de cada abelha, gafanhoto, salamandra ou javali para a saúde do nosso ecossistema?

«Biodiversidade. A sexta extinção avança em Portugal. Várias espécies de anfíbios, aves e insetos estão a desaparecer rapidamente em todo o mundo, incluindo em Portugal. Há alguns grupos que começam a ser bastante atingidos e não são muito falados, mas a sua extinção pode ter consequências dramáticas a vários níveis. Neste momento, os anfíbios - rãs, sapos, tritões, salamandras estão a sofrer uma forte pressão.» Afirma Luís Madeira Carvalho, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa.

Peço, encarecidamente, ao senhor Ministro do Ambiente e da Ação Climática, que dedique um pouco da sua preciosa e cirúrgica atenção a este facto assinalado por este investigador.

A Torre Bela:

Esta prática, este “evento,” que (felizmente) cada vez encontramos menos, constitui o mau exemplo, que serve ainda (infelizmente) para mostrar o que é absolutamente condenável e antagónico ao espírito da Caça!

Não obstante, vamos esperar que a investigação e a justiça atuem e tragam a terreiro toda a informação dos factos que ocorreram a montante e aí, depois, será o tempo de acabarmos de condenar com veemência aqueles episódios lamentáveis que não podem, de maneira nenhuma, repetir-se.

Acredito e, por isso defendo que, atualmente, não podemos abandonar a Natureza e que, pelo contrário, é nosso dever, com o acompanhamento da ciência, defendê-la e cuidá-la, tentando evitar que a explorem empregando práticas agrícolas industriais degenerativas, práticas condenáveis de morte, ou que a interpretem e humanizem utilizando conceitos ignorantes e preconceituosos.

A Gestão Cinegética, e as suas Boas Práticas, ao contrário do que quiseram fazer crer, associando-a a maus exemplos, é o instrumento mais adequado para cuidar a Natureza de forma dinâmica e sustentável. E, não fora o pensamento oportunista, mal-intencionado e, também ignorante, na verdade, estes setores políticos, já estariam do lado das Organizações de Caça Sustentável. Senão vejam:

Gostaria de saber quais são as medidas que estes pseudoecologistas vão tomar, no cenário que se avizinha, dos javalis a abandonarem serras e florestas por excesso de população; não tendo inimigos, reproduzem-se e multiplicam-se, a alimentação vai  escassear, e estes ungulados famintos, que percorrem grandes distâncias, vão invadir as cidades, praias e parques de campismo, usando seu sensível olfato, disputando a comida e os restos de lixo, atacando adultos, crianças e seus animais domésticos.

É que os javalis são omnívoros agressivos e quando têm fome, comem tudo, como nós…

Aproveito para desejar a todos um Feliz Ano de 2021.